Everybody's deaf

As salam ualaykum. Amanhece mais um dia. Tudo volta ao normal, ao menos aparentemente. Apesar que na madrugada a vida também prossegue: uns trabalham, uns morrem, uns se odeiam e brigam, outros brindam a amizade, e, a vida prossegue o tecer de sua delicada seda de complexas relações humanas. Amanhece mais um dia e as notícias não são nada boas, tanto as que vem de fora, com toda a rapidez que os satélites proporcionam, quanto as notícias internas, ora propagadas no boca a boca, ora por meio das agências de informações nacionais, não são agradáveis. Imagino um executivo lendo o seu jornal no café da manhã juntamente com sua filha de sete anos que estuda num dos colégios mais tradicionais da cidade e que somente sabe o que se passa no mundo por meio de seu pai. O pai folheia o jornal, primeira seção: notícias nacionais; pensa: " Nada mudou mesmo, bahh!!" e parte para outra seção, notícias do mundo; pensa: " A mesma coisa de sempre: bombas aqui e lá, inimigo invadiu o território vizinho dizendo que as terras são dele, blah, blah, baahh, dane-se também, nunca mudou e nunca mudará". Agora está prestes realmente ler a seção que mais gosta – negócios. "Ahhhh!!!! Isso aqui sim é bom. É disso que as pessoas precisam." - e toma um pouco de suco de laranja. Talvez evite ler as outras notícias por achar que nada mudará, pois, a vida é assim mesmo – há coisas que não mudam, há coisas que nascem para ser de um modo e desse modo permanecerão. "C'est la vie". A filha do executivo toma o suco de laranja despreocupadamente e seu pai desfruta a leitura matinal. Essa linda garotinha nunca verá o verdadeiro alvorecer, pois, ele queima as retinas; a legítima brisa matinal é tóxica, os habitantes do outro lado da fronteira hoje estão aqui, em forma de palavras em nossas rostos, amanhã estarão distantes, além do que a nossa vista possa alcançar. Em algum lugar distante, aqueles pequenos olhos silenciosamente gritando por alguma intervenção estrangeira, ou, ao menos por algum ato de justiça, aqueles pequenos olhos como um suave e pequenino rio . "Minha filhinha - tente ficar quieta, eu prometo que não vai doer!" – Ya Allah!

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