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Mostrando postagens de Novembro, 2008

Tecendo a manhã

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Este é um dos poemas mais belos e sublimes que já li. Nele, João Cabral de Melo Neto deve ter dado o sangue para compor algo tão indescritível.
Sem delongas. Segue abaixo a maravilha.
Paz e amor a todos.


João Cabral de Melo Neto
Tecendo a Manhã


1

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

Entre um Machado e outro

Este ensaio, escrito pelo colunista da Veja Roberto Pompeu de Toledo, sobre o imortal escritor Machado de Assis, conta-nos um pouco sobre o homem que, assim como muitos escritores deste idioma, tornou bela nossa Língua Portuguesa.
Roberto não só "rabisca" alguns pontos da vida e obra do escritor, incluindo alguns momentos históricos do Brasil, mas também, menciona o livro Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro, de Daniel Piza.
Este texto, sem dúvidas é muitíssimo interessante. Quem não gostar de Machado de Assis, que seja "internado num manicômio".


Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

"Entre um Machado de Assis e outro"

Contrastes entre o autor e o homem suscitados por uma nova biografia do grande escritor

Esse Machado de Assis... Um clássico, segundo Italo Calvino, é uma obra que nunca esgota o que tem a dizer. É o caso de Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Dom Casmurro. Mas também uma vida, e especialmente a vida dos autores de clássicos desse porte, nunca…

Can't stop

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Olá.
Domingo (09/11/2008) fui ao show do Maroon 5 no Via Funchal. Antes do show, estava um pouco receoso do quê encontraria no palco daquela casa de espetáculos.
Não era muito fã dos caras. Só conhecia as "babas" (músicas que qualquer um conhece, e/ ou, executadas até a exaustão pelas rádios FM): This love(lembrei do Pantera, rs), She will be loved e Sunday morning. Gostava, admirava, achava legal e ponto.
Porém, minha linda garota, que é uma grande admiradora dos caras, emprestou-me os dois cds que a banda lançou até o momento. Acredite - pirei! De verdade mesmo. Achei o som do Maroon 5 muito bem tocado, dançante e alegre, mesmo que ao ouví-los lembro-me do Jamiroquai e de soul music, os rapazes fazem um som responsa e merecem o respeito da galera que curte boa música.
O show, propriamente dito, foi, sem dúvida, muito bom. O vocalista, Adam Lavine, é um cara muito carismático e divertido - não parou por um minuto de agitar a platéia e pedir a participação de todos os prese…

Parte I

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A mesma frase, como o gotejar de uma torneira no meio da noite, ressoava na mente do advogado de terno marrom: “Entendo como, mas não entendo porquê”.
Residia em uma casa modesta, quatro cômodos era a medida da simplicidade daquele homem, em um bairro que, amiúde, sucumbia à especulação imobiliária das grandes cidades. Aquele silencioso lar, não era muito longe do escritório que lhe garantia o sustento mensal. Era uma função de valor, afirmava a todos que conhecia: “defender a justiça, as pessoas não é algo nobre?”
Mas, o momento que mais o deliciava era quando pisava no solo sagrado do bairro em que morava, desde de seu nascimento.
Em outros tempos, os da infância, na rua sempre havia o movimento da felicidade dos moradores. Os vizinhos, assim acreditava, adoravam palmilhar os pés naquele asfalto sacrossanto. Como amava aquele bairro!
Lembranças eram nutridas e temperadas com o sal, cuja nascente eram aqueles olhos, que acariciavam a paisagem de uma tarde de verão.

O advogado de terno marrom

Olá.

Decidi iniciar algo que não estou certo se renderá empenho em continuá-lo, ou não. Porém, há coisas que insistem materializar-se em nossas vidas.
Este é o caso do advogado de terno marrom. Não sei o por quê, exatamente, ser um advogado e, o mais insólito, de terno marrom. Gosto de marrom, mas não muito. O ofício da advocacia, creio pelo fato de haver muitos escritores advogados ou advogados escritores, portanto, a personagem ser esse.
As atualizações surgirão conforme as idéias bafejarem em minha cabeça. Não espere muita coisa. Haverá, também, algumas colagens de falas, textos e características de obras de autores consagrados da literatura mundial.
Então, “enjoy it”!