Parte I


A mesma frase, como o gotejar de uma torneira no meio da noite, ressoava na mente do advogado de terno marrom: “Entendo como, mas não entendo porquê”.
Residia em uma casa modesta, quatro cômodos era a medida da simplicidade daquele homem, em um bairro que, amiúde, sucumbia à especulação imobiliária das grandes cidades. Aquele silencioso lar, não era muito longe do escritório que lhe garantia o sustento mensal. Era uma função de valor, afirmava a todos que conhecia: “defender a justiça, as pessoas não é algo nobre?”
Mas, o momento que mais o deliciava era quando pisava no solo sagrado do bairro em que morava, desde de seu nascimento.
Em outros tempos, os da infância, na rua sempre havia o movimento da felicidade dos moradores. Os vizinhos, assim acreditava, adoravam palmilhar os pés naquele asfalto sacrossanto. Como amava aquele bairro!
Lembranças eram nutridas e temperadas com o sal, cuja nascente eram aqueles olhos, que acariciavam a paisagem de uma tarde de verão.

Comentários

Rob Seixas disse…
está bem interessante esse início da sua história, bro!
Pretendo continuar lendo, deixe a criatividade rolar. Abração!!!!
Rob

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