Este é um dos poemas mais belos e sublimes que já li. Nele, João Cabral de Melo Neto deve ter dado o sangue para compor algo tão indescritível.
Sem delongas. Segue abaixo a maravilha.
Paz e amor a todos.
João Cabral de Melo Neto
Tecendo a Manhã
1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
2
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
3 comentários:
Ao Lê,
inspirado e inspirador!
Não tem nada mais doce do que ouvir que uma pessoa querida assitiu um filme e lembrou de você...são essas pequenas coisas que, pelo menos pra mim, vão dando sentido à vida!
"Marcelino Pão e Vinho" eu assisti pela primeira vez na minha infância, e por diversas outras vezes, sempre com a mesma emoção, sempre tendo que conter as lágrimas, sempre compeendendo um pouquinho mais do que eu penso e sinto sobre o Deus Amor, Amigo e ouso dizer, Esposo da alma!
Ontem comecei a ler "Pensar é Transgredir". Agora só falta entrar em férias pra vida parecer perfeita!!!!
Um abração apertado
Que legal! Só o fato de ler esse maravilhoso poema, mas faz recordar das coisas belas que existem, e como é gostoso a gente trabalhar com aquilo que a gente gosta. Bela escolha a sua. adoro Cabral.. Tô com saudades de vc, meu amigo! Continue blogando mais... Falô!
oi lê,
quanta saudade...
bacchi
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