O advogado de terno marrom - Parte 2


Delicadamente, despaginava as lembranças de sua amarelecida infância. Quanto tempo fazia, por Deus! No entanto, mesmo passado tanto tempo, o frescor daquelas memórias eram tépidas como o zéfiro do final de tarde, essas em que Deus fecha os olhos e aspira alegremente ante a magnificência de Sua criação.
As flores daquele tempo possuíam uma fragrância mais suave, e as cores, mais intensas e delicadas. Contemplá-las era flutuar pela infinitude da existência – tocar a pureza do Criador.
Lembrava-se das tardes dominicais de dezembro, momentos tão puros e tocantes. Naquelas distantes tardes, os pais levavam as crianças para tomarem sorvete na praça, e, o sorveteiro, ah!, senhor Giuseppe, como sinto sua falta –seu sorriso, sua interminável esperança pela vida, suas histórias sobre eras remotas, talvez, tempos em que o ser humano era realmente humano.
Todos se sentavam nos bancos da praça e deleitavam-se com longas e animadas conversas sobre a vida. Desse modo, como um espírito andarilho e onipresente, a alegria circundava o mundo e encontrava um lugar para repousar.

Comentários

Rob Seixas disse…
Aê, irmão! Gostei de ver, hein? Fazia tempo que aguardava a seqüência dessa estória interessante. Muito bom mesmo!
Ai, meu amigo! Como estou angustiado e ansioso... Por isso, ler seu blog é sempre muito bom. Abraços!
Grazi disse…
Lê,
você escreve tão bonito, e com tanta simplicidade...já escrevi isto antes, mas reforço: te ler é igual ganhar um abraço gostoso....

"Desse modo, como um espírito andarilho e onipresente, a alegria circundava o mundo e encontrava um lugar para repousar". Terá ela algum lugar em nossa vida e alma, mesmo em meio à todo desassossego? Certamente sim, se soubermos contemplar o valor das coisas simples, aquelas que muitas vezes são essenciais, porém invisíveis aos olhar, como disse Saint-exupery.

Isso me fez lembrar um poema que Santa Teresinha escreveu ao Menino Deus, quando a doença a fazia sofrer muito e a alma estava conturbada pelo desconsolo: "Se queres podes repousar,/Enquanto brame a tempestade./Reclina aqui, sobre meu peito,Tua cabecinha loura.../Que encantador é teu sorriso/Enquanto dormes!..."

Bjim

Pax
Anônimo disse…
A salamo a-leikom!
Ainda estou imersa na alegria e na bênção de minha visita à Terra das Pirâmides...
Meu coração é só energia e assim, agradeço-te pelas palavras lindas em meu Blog!
Insh`Allah eu retorne logo ao Cairo.

Um abraço fraterno,
Denise.`.
Anônimo disse…
Olá prof°!
Devido a problemas de saúde foi necessário dar um tempo com o Curso, mas assim que fizer a cirurgia e me recuperar totalmente, voltarei. Desculpe-me por não ter me despedido.
Grande abraço e até a volta!

Rosalina Leal

Postagens mais visitadas deste blog

Antes de você chegar

Responsabilidade

Welcome to life